10 julho, 2006

Anastácio da Cunha: vida breve e marcante

Opinião
Adelto Gonçalves
09/07/2006 08:07:8

Cinco
anos depois de lançar o primeiro volume da Obra Literária, de José
Anastácio da Cunha (1744-1787), a Campo das Letras, do Porto, acaba de
colocar nas livrarias o segundo volume com inéditos do autor, num
minucioso e magnífico trabalho de pesquisa das professoras Maria Luísa
Malato Borralho e Cristina Alexandra de Marinho, ambas da Faculdade de
Letras da Universidade do Porto.

Segundo as autoras, ainda está previsto o lançamento de um terceiro
volume, que incluirá, entre outros trabalhos, a polêmica em torno da
matemática que Anastácio da Cunha travou com o ex-jesuíta José Monteiro
da Rocha (1734-1819), que viveu muitos anos em Salvador, na Bahia, e
ficou famoso por sua contribuição para a reforma da Universidade de
Coimbra e, em particular, pela criação do Observatório Astronômico da
Universidade de Coimbra.

Será, com certeza, o coroamento de um trabalho que começou em 1999,
quando a professora Maria Luísa Malato Borralho encontrou composições
inéditas do autor em Braga, num manuscrito que pertencera ao conde da
Barca, e prosseguiu até 2003, quando descobriu nos arquivos londrinos
do King´s College cópias que lhe permitiram preencher lacunas ou
rasuras de cópias portuguesas.

Anastácio da Cunha foi poeta e tradutor, além de militar e professor de
Matemática da Casa Pia de Lisboa. Vítima de perseguição que o levou aos
cárceres da Inquisição e a uma reclusão penitenciária na Congregação
dos Oratorianos, morreu amargurado, depois de uma breve vida marcada
por episódios dramáticos.

Filho de pais humildes, foi educado pelos padres da Congregação do
Oratório na Casa das Necessidades, de Lisboa, onde hoje está instalado
o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que desenvolvia uma notável
ação pedagógica, tendo à frente os padres Joaquim de Foios e Teodoro de
Almeida, que também exerceram influência sobre outro grande poeta
setecentista, Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805).

Ainda jovem, Anastácio da Cunha chegou ao posto de tenente do Regimento
de Artilharia do Porto, aquartelado em Valença do Minho, lá
permanecendo de 1764 a 1773, tempo em que teria se iniciado nos
mistérios maçônicos e na leitura de autores proibidos como Voltaire.
Depois, exercendo funções docentes em Coimbra de 1773 a 1778, pode ter
exercido influência decisiva na instalação de uma loja maçônica
coimbrã, como se lê em História da Maçonaria em Portugal: das origens
ao triunfo, de A. H. de Oliveira Marques, v. 1, p. 43 (Lisboa,
Editorial Presença, 1990).

Em julho de 1778, seria detido pela Inquisição, acusado de fazer
“leituras e traduções de autores ímpios”. E do auto-de-fé, o último a
ser realizado em Portugal, sairia condenado, entre estudantes e
militares ou ex-militares de Valença. Proibido de voltar a Valença e a
Coimbra, viveu três anos de reclusão na Congregação dos Oratorianos,
seguida de quatro em Évora, além de ter tido seus bens confiscados,
inclusive seus livros.

Sem nunca ter tido a oportunidade de sair de Portugal, Anastácio da
Cunha sabia ler em castelhano, italiano, francês, inglês, latim e
grego. Mas não teve o seu talento reconhecido pelo mundo oficial: a
Academia Real das Ciências de Lisboa, fundada em 1780, nunca o
convidaria para seu sócio honorário ou correspondente. Solteiro,
morreria de doença provavelmente contraída no cárcere, deixando a mãe
na indigência, a viver de esmolas. As suas obras, copiadas pelos
amigos, não as chegaria a ver em letra de imprensa.

A edição da obra literária de José Anastácio da Cunha, preparada pelas
professoras Maria Luísa Malato Borralho e Cristina Alexandra de
Marinha, é a terceira que saiu à luz até hoje e reúne, no seu primeiro
volume, não só o corpus das edições anteriores, mas também textos que
permaneceram inéditos ou andavam dispersos. Além do ensaio biográfico
de 50 páginas escrito por Maria Luísa Malato Borralho, que dá à luz com
pesquisas de arquivo muitas novidades, o volume contém as composições
em verso do autor, inclusive textos originais.

Já o segundo volume reúne agora traduções, como “Notícias Literárias”,
ensaio em prosa, e “A Voz da Razão”, composição apócrifa que alguma
tradição lhe atribui, e poemas de autores alemães. Embora não soubesse
ler alemão, é provável que os tenha lido em inglês ou francês e dessas
línguas traduzido. Segue um trecho da tradução que fez de um poema de
Salomon Gessner (1730-1788):

Eu amo, eu amo, minha bela Doris,

Daquele mesmo modo que se amava

Antes que a boca suspirar soubesse ,

E que o mundo avistasse horrorizado

Do juramento falso a cruel arte. (...)

Segundo as autoras, ainda que algumas composições, como “Carta a
Doris”, nunca tivessem sido descobertas e outras, como a tradução da
tragédia “Mahomet”, tenham sido editadas sob anonimato, este segundo
volume não pode ser considerado como de menor importância em relação ao
primeiro.

Compreende-se a preocupação das autoras, pois há ainda quem considere a
tradução um trabalho menor, já que o que se lê é, em última análise, um
texto de segunda mão. Até hoje, a tarefa da tradução é trabalho mal
remunerado, o que, muitas vezes, leva editoras, de olho nos custos, a
contratar tradutores pouco capacitados.

No século XVIII, porém, essa idéia de mercado não existia. Nem havia
grande rigor e fidelidade ao original, pois o que os tradutores mais
talentosos o que faziam era um trabalho de recriação. Muitas vezes,
chegaram a superar em beleza o texto original. São os casos de Bocage e
Anastácio da Cunha.

__________________________________



JOSÉ ANASTÁCIO DA CUNHA: OBRA LITERÁRIA, de Maria Luísa Malato Borralho
e Cristina Alexandre de Marinho (edição). Porto: Campo das Letras, v.
1, Poesia (com inéditos do autor), 2001, 261p.; v. 2 (com inéditos do
autor), 2006, 393 p. E-mail: campo.letras@mail.telepac.pt


Technorati Tags: ,

24 maio, 2006

O guardador de rebanhos - VIII, Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)


Num meio dia de fim de primavera Tive um sonho como uma fotografia Vi Jesus Cristo descer à terra, Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe.


Tinha fugido do céu, Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu era tudo falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras, No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem


E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés espetados por um prego com cabeça, E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças. O seu pai era duas pessoas - Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque não era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.


Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça!


Um dia que Deus estava a dormir E o Espírito Santo andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três, Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz


E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o sol E desceu pelo primeiro raio que apanhou. Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz no braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras nos burros, Rouba as frutas dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E que toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças E levanta-lhes as saias.


A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as cousas, Aponta-me todas as cousas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando a gente as tem na mão E olha devagar para elas.


Diz-me muito mal de Deus, Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar no chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia, E o Espírito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.


Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou - “Se é que as criou, do que duvido” - “Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória, mas os seres não cantam nada, se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso se chamam seres”. E depois, cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços E eu levo-o ao colo para casa. ………………………………………………………………..


Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural, Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro. E a criança tão humana que é divina É esta minha quotidiana vida de poeta, E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre, E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação, E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E a outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é o de saber por toda a parte Que não há mistério no mundo E que tudo vale a pena.


A Criança Eterna acompanha-me sempre. A direção do meu olhar é o seu dedo apontando. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos a dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda.


Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa, Graves como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo o universo E fosse por isso um grande perigo para ela Deixá-la cair no chão.


Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens E ele sorri, porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos-mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade


Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do sol A variar os montes e os vales, E a fazer doer aos olhos os muros caiados. Depois ele adormece e eu deito-o Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo-o lentamente E como seguindo um ritual muito limpo E todo materno até ele estar nu.


Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos, Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate as palmas sozinho Sorrindo para o meu sono. ………………………………………………………………………


Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu no colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é. …………………………………………………………………………


Esta é a história do meu Menino Jesus, Por que razão que se perceba Não há de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam?


08-03-1914

Technorati Tags: , , ,

19 maio, 2006

Maçonaria em Portugal está a crescer

Num
debate sobre a Franco-Maçonaria organizado em Lisboa pelo Instituto Franco-Português, o Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, António Reis, defendeu que a maçonaria em Portugal está a crescer e surge como uma alternativa a ideologias, religiões ou partidos.


Como avança o Diário Digital, no debate, António Reis não referiu números exactos, mas garantiu que «nos últimos dez anos o número de maçons do Grande Oriente Lusitano duplicou».


Guiada pelo princípio do «livre pensamento», a maçonaria «pode contribuir para preencher um vazio espiritual» sem cair nos «efeitos perversos» associados aos partidos ou religiões, nomeadamente os «dogmatismos e sectarismos», afirmou ainda António Reis.



O Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, António Reis, defendeu hoje que a maçonaria em Portugal está a crescer e surge como uma alternativa a ideologias, religiões ou partidos que evita cair em «dogmatismos e sectarismos» destas instituições.

Intervindo num debate sobre a Franco-Maçonaria organizado em Lisboa pelo Instituto
Franco-Português, António Reis não referiu números exactos, mas garantiu que «nos últimos dez anos o número de maçons do Grande Oriente Lusitano duplicou».

Guiada pelo princípio do «livre pensamento», a maçonaria «pode contribuir para preencher um vazio espiritual» - apesar de não fazer qualquer «apelo ao transcendente» - sem cair nos «efeitos perversos» associados aos partidos ou religiões, nomeadamente os «dogmatismos e sectarismos», afirmou António Reis.

Tanto António Reis como a Grã-Mestre da Grande Loja Feminina de Portugal, Maria Belo, que também esteve no debate, referiram os constrangimentos que sentiram enquanto membros e deputados do Partido Socialista na defesa das suas ideias, porque tiveram que estar sempre submetidas às «estratégias de poder».

«Os partidos são instrumentos de conquista de poder em que a liberdade de discurso é limitada» e «afastaram-se das práticas de cidadania porque prometeram muito e criaram algumas desilusões», defendeu António Reis.

Na maçonaria, que traz «uma proposta de moral universal», o único poder que se reivindica «é o poder dos valores», especificamente «a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a laicidade e a cidadania», acrescentou.

«A maçonaria não obriga a uma disciplina rígida», cria «espaços de livre expressão e discussão entre partidos e religiões diferentes» e cultiva entre os seus membros a participação ou criação
de obras de solidariedade social.

Assumindo as «fragilidades» da maçonaria enquanto instituição humana, António recusou no entanto que a instituição pactue com esquemas de «socorros mútuos, cunhas ou promoções».

Num debate em que se abordou também o lado feminino da maçonaria em Portugal, Maria Belo lembrou que a primeira loja feminina, ainda dependente da maçonaria francesa, surgiu em Portugal em 1983 e só em 1997 se autonomizou.

A questão da separação entre as maçonarias feminina e masculina é pacífica para os dois lados, que se visitam e partilham mesmo alguns rituais.

Questionada sobre a falta de tomadas de posição da maçonaria sobre questões como o aborto, a igualdade de géneros na sociedade ou as quotas, Maria Belo afirmou que a natureza da maçonaria é promover e exercer a discussão e a liberdade de opinião, pelo que não há tomadas de posição da instituição sobre «as questões de fundo», antes relativamente a casos
concretos.



Technorati Tags: , ,

05 maio, 2006

Fotos da Capela de Rosslyn

 rosslynpix1-1.jpg


 rosslynpix2.jpg


 rosslynpix3.jpg


 rosslynpix4.jpg


 rosslynpix6.jpg


 rosslynpix5.jpg



Technorati Tags: , , ,

Technorati Tags: , , ,

02 maio, 2006

PAUL MAGNAUD - O Bom Juiz

Nascido em 1849 na cidade francesa de Bergerac, filho de um funcionário público sem maior projeção, Paul Magnaud presta o serviço militar e se destaca na Guerra de 1870 (França/Alemanha).

Posteriormente faz o curso de Direito em Paris.

Ingressa na Magistratura em 1881.

Após um começo de carreira com alguns postos menos destacados, termina por seu nomeado presidente do Tribunal da cidade de Chateau-Thierry, em 1887. (Devemos esclarecer que no sistema judiciário francês o cargo de presidente de qualquer tribunal dá ao juiz que o exerce muito maior destaque que os outros juízes desse tribunal, e o leitor verá a importância desse tema logo adiante quando se tratar do trabalho de Magnaud no Tribunal de Paris, onde ele não será mais presidente).

Ali naquela cidade ele trabalhará até 1906 e ficará conhecido como o Presidente Magnaud.

Citemos algumas de suas decisões mais famosas: num julgamento famoso, que chamou a atenção de todo o país na época, inclusive tendo sido objeto de explorações político-partidárias, absolveu uma mulher por furto famélico; num outro julgamento absolveu um rapaz que não conseguia
emprego e que era acusado de mendicância e vadiagem; absolveu uma mulher acusada de adultério tendo fundamentado sua sentença no entendimento de que não havia prejuízo público mas apenas para a vida dos próprios cônjuges; e, através de inúmeras decisões surpreendentes
para a época, pretendeu a descriminalização do adultério, o reconhecimento do que depois se tratou como estado de necessidade, avançou no sentido do direito de greve, de segurança do trabalho, da valorização da mulher e sua igualdade em relação ao homem etc.

Em 1906 mesmo será eleito deputado pelo partido radical-socialista, permanecendo como tal por todo seu mandato de 4 anos, em que tentou sem nenhum sucesso reformas legislativas na área penal, sobretudo.

Retornando à Magistratura em 1910, foi designado para exercer seu cargo no Tribunal de Paris, onde não era mais presidente, ficando apagado até que prestou serviço militar na 1ª Guerra Mundial como oficial superior, recebeu a comenda da Legião de Honra pela sua conduta corajosa,
aposentando-se em 1918.

Tornado Conselheiro Honorário da Corte de Apelação de Paris (cargo honorífico).

Morreu em 1926 na cidade de Saint Yrieix, com 78 anos de idade.

Foi amigo pessoal de Clemenceau e Émile Zola, estes que divulgaram muito seu nome através da mídia da época.

Feminista por influência de sua mulher, que foi uma das primeiras mulheres a ingressar na maçonaria e que era afilhada da escritora e feminista George Sand.

Sobre ele muito se escreveu, mas o livro mais completo se chama Le bon Juge, que tem como autor André Rossel, reeditado em 1983 pela Editora A l’Enseigne de l’arbre verdoyant.

Em suma, era um polemista ardoroso, corajoso e pouco respeitoso com tudo o que contrariasse suas idéias de entusiasta do progresso.

Parece-me digna de realce a imensa contribuição de Paul Magnaud ao Direito quando era presidente do Tribunal de Chateau-Thierry (1887-1906) em contrapartida com sua apagada atuação no período em que oficiou no Tribunal de Paris quando passou a ser mero vogal (1910-1918). No primeiro período, contando com a adesão de pelo menos um dos dois colegas de Câmara, pôde realizar um excelente trabalho inovador, que trouxe avanços expressivos para os Direitos francês e mundial. No segundo período, sendo tido e havido como inovador, seus superiores o fizeram integrar uma Câmara em que seus dois colegas eram reacionários e, assim, as excelentes idéias de Magnaud ficaram sepultadas pelo segredo, uma vez que, na Justiça francesa, não se registram os votos vencidos.

Digno de registro também o fato do próprio sistema judiciário francês (que, regra geral, adota até na 1ª instância o colegiado) estar adotando cada vez maior o molde do juiz singular.

De Luiz Guilherme Marques

Original na Revista Juristas


Technorati Tags: , , ,

30 março, 2006

Em Cuba reacção contra manobras anti-maçónicas

LA HABANA, Cuba - Marzo - El
apoyo mostrado a la masonería femenina
por el Gran Secretario José Manuel Collera
Vento en un discurso público el 28 de enero
puso a la masonería cubana ante la encrucijada
de dejar hacer a los que maniobran para conducirla
a la irregularidad y al cisma, o secundarlos con
el silencio.


El ex Gran Maestro Luis Romero Márquez
renunció a presentarse a elecciones para
Gran Maestro, alegando en una carta a las logias:
"No es secreto que se ven afectadas las relaciones
de la Gran Logia y el Supremo Consejo del Grado
33 de la República de Cuba, debido al establecimiento
en nuestra jurisdicción de un capítulo
del Real Arco, auspiciado por la Gran Logia de
Cuba, y en violación del Tratado de Paz
y Amistad entre ambos cuerpos masónicos.
La pretensión de incorporar a la mujer
a nuestra augusta institución contra la
vigente asociación de 'Hijas de Acacia'
constituye una acción premeditada para
EXCLUIR a la Gran Logia de Cuba del concierto
de la masonería REGULAR UNIVERSAL …
Las visitas a logias irregulares radicadas en
jurisdicción de potencias masónicas
regulares de nuestra amistad … falta total
de ortodoxia masónica e inobservancia de
ANTIGUOS LIMITES … considero vislumbrante
una situación altamente explosiva …
un cisma … que fraccionaría nuestra
tradicional Unidad…"


El ex Gran Maestro Romero Márquez cree
a la Gran Logia de Cuba en peligro inminente de
ruptura de relaciones con logias de otros países,
por las acciones antes expuestas.


La Gran Gentil Mentora María Elena Reyes
Avila, que preside la asociación femenina
no masónica pero apadrinada por la masonería
de Cuba desde 1936, protestó ante el Gran
Maestro Arnaldo González Padrón
por el apoyo del Gran Secretario a las masonas.


En carta de fecha 8 de febrero se dirigió
a las logias masónicas, explicando que
conversó sobre el problema con el Gran
Maestro desde noviembre, y que "cuando comenzamos
nuestra vida fraternal … nos explican el
postulado masónico que nos impide trabajar
conjuntamente … y a no inmiscuirnos en trabajos
masónicos y el respeto a sus discretas
liturgias y secretos … El concepto de regularidad
masónica no es nuestro, pero se nos enseñó
siempre a respetarlo, tanto como a nuestros propios
principios … Nos sentimos subestimadas y
ofendidas al ver que nuestra labor y la de reconocidos
masones no fue reconocida por el Gran Secretario
… con dolor profundo le escribo estas líneas
para protestar por el tratamiento irrespetuoso
en el acto del 28 de enero … porque en el
supuesto caso de la Gran Logia de Cuba, ignorando
las consecuencias que esto pudiera tener …
relativo a la regularidad masónica, decidiese
crear una institución masónica femenina
… ¿No sería más ético,
moral y de justicia ponerlo en pleno conocimiento
de nuestra Orden, que es la que legalmente acordó
crear y apoyar la Alta Cámara Masónica?"


La Gran Gentil Mentora se dijo reconfortada por
las muestras de apoyo que recibió después
de lo ocurrido por parte de muchos masones y logias.


El Gran Maestro González Padrón,
ante el aluvión de censuras al Gran Secretario,
hizo circular una carta por las logias, en la
que desaprueba los conceptos del discurso de su
Gran Secretario, que son -dijo- opinión
de éste, pero no de la Gran Logia. Sin
embargo, con su presencia en el acto autorizó
tal discurso, al no silenciar al orador, como
es su potestad y deber.


Quienes le aconsejan al Gan Maestro que expulse
de su gabinete al Gran Secretario Collera reciben
la respuesta de que "no, ya falta poco para
las elecciones, y Collera no aspirará a
ningún cargo". Así, se refuerza
el rumor que mancha a esta Gran Maestría
desde su primer día, estimando al Gran
Maestro como un títere de Collera Vento.


Si el anciano Doctor y ex Gran Maestro Luis Romero
Márquez renunció a su candidatura
a elecciones para nuevo Gran Maestro fue por escrúpulos
ante la situación, que calificó
de "explosiva". El dos veces ex Gran
Maestro Basilio Armando Barreto Martínez
lanzó su candidatura para Gran Maestro
en el período 2006-09. Y desde hace meses
acusa en discursos a Collera de traidor a la masonería.


Pero, durante su segundo mandato Barreto también
se contaminó con relaciones con la masonería
irregular, y mostró tendencias muy dictatoriales
en el ejercicio del cargo. Con frecuencia se ha
mostrado salvador de la masonería, y acusa
de traidores, sin precisar nombre, a quienes lo
contradicen.


Los más suspicaces consideran posible
que el descrédito de Collera no obedezca
a que éste perdió la cabeza en público,
sino a un arreglo para propiciarle a Barreto presentarse
como salvador.


Y hasta los más ingenuos entienden que
tras toda esta amenaza de cisma, tan groseramente
impuesta por un par de funcionarios, está
la mano de la Seguridad del Estado manipulando
a la masonería para controlarla o dividirla.


Original pode ser encontrado aqui: Cubanet



Technorati Tags: , ,

24 março, 2006

Códigos e Tradições Maçónicas em Paraty, Brasil

PARATY- Se alguém fizesse o projeto de uma cidade com o objetivo de transformá-la num parque temático para turistas, dificilmente chegaria a uma fórmula tão perfeita quanto a de Paraty, no Estado do Rio, a 300 quilômetros de São Paulo. Da natureza, o município ganhou o cenário da Serra da Bocaina, coberta por mata atlântica e salpicada de cachoeiras, mais as águas calmas da Baía de Ilha Grande. Nela, se esparramam 65 ilhas pertencentes à cidade, com praias desertas e mar azul-turquesa.


1762006032215553815paraty1.jpg

Códigos e Tradições

Os fãs do livro O Código da Vinci, de Dan Brown, vão se divertir tentando decifrar os símbolos e segredos escondidos na arquitetura da cidade. Paraty, assim como Óbidos, em Portugal, foi urbanizada por maçons. Sinais da maçonaria estão por toda parte - até nas igrejas. Na matriz, a Nossa Senhora dos Remédios, que começou a ser construída em 1754 e mistura elementos barrocos, neoclássicos e rococós, um símbolo da ordem maçônica dos Cavaleiros Hospitalares enfeita a entrada. Achá-lo é fácil: procure um pote de onde saem três ramos.

Outro sinal da presença maçom são os três pilares (cunhais) de pedra lavrada em várias esquinas. São sempre três - deixando uma das construções do cruzamento sem pilar -, para formar o símbolo delta, ou um triângulo. Também abundam em Paraty casas pintadas de branco e azul hortênsia, cores simbólicas da maçonaria.

Original pode ser encontrado aqui: Estadão


technorati tags: , , , , ,

A Maçonaria constrói a sua história em Santo André - Brasil

Este ano marca o Jubileu de Ouro da Loja Maçônica João Ramalho, de Santo André, cujo número é o 107. E seus membros decidiram registrar a efeméride com um grande levantamento de notícias acerca da história da instituição.

Humberto Cacioli, Odair Bagnariolli e Douglas Anselmo estiveram conosco. Falaram do Jubileu e do projeto. Nos mostraram fotografias. E fechamos com eles uma parceria: divulgar este esforço para a construção da memória da Loja.

São muitas as fotografias a serem identificadas; muitas histórias a serem reunidas. Começamos por esta: o lançamento da pedra fundamental do segundo templo, à rua 11 de Junho, 717, no bairro Casa Branca, fato ocorrido na gestão de Izidro Coria, em 1968.

Aos poucos publicaremos mais fotos e traremos outras informações. Até o segundo semestre, quando do Jubileu de Ouro da Loja Maçônica João Ramalho, muitas outras dúvidas estarão eliminadas e novas informações sistematizadas. Como sempre, Memória conta com a colaboração dos queridos leitores e leitoras.


A Fundação por Humberto Cacioli e Odair Bagnariolli

"No dia 25 de novembro de 1956, reuniram-se na garagem da casa do senhor Hélio Baía, de número 557 da rua General Glicério, em Santo André, os senhores Arthur de Castro de Freitas Costa, Carlos Reis Filho, Aluysio Teixeira Costa, Antonio Lilla, Maurício Petresky, Giné Martinez, Fernando Fernandes, José Caetano Ceme, Hélio Pereira Baía, Elias Lerner, Américo Benhosi, Wilson Bisi, João Martins de Souza, Clestenes dos Reis, Bernardino Joaquim Ribeiro e Joaquim Alves da Costa, com o objetivo de fundar uma loja maçônica.

Todos eles já faziam parte da Maçonaria em outras cidades, mas queriam, por iniciativa do senhor Joaquim Alves da Costa, fundar uma nova loja na cidade de Santo André, onde a maioria trabalhava e residia com suas famílias.

Naquela data foi fundada a Augusta e Respeitável Loja João Ramalho – 107, que recebeu esse nome em homenagem ao fundador da Vila de Santo André da Borda do Campo. Decidiu-se que as reuniões seriam realizadas no mesmo local, todas as sextas-feiras, às 20h.



technorati tags: , , , , ,

Imagens das Lojas Azuis do Templo maçónico de Yokohama (Japão)

GNLP realiza 1º Congresso Maçónico (sic)

A Grande Loja Nacional Portuguesa (GLNP) realiza sábado o primeiro Congresso Maçónico (sic)aberto ao público, com o objectivo de desmistificar a Ordem e transmitir os seus valores de cidadania, disse ao Diário Digital o Grão-Mestre da GLNP, Álvaro Carva.

Por F. Moura da Silva

Ajudar a estabelecer a paz é um dos grandes objectivos da Maçonaria, que tem tido intervenções em processos como o da independência de Timor-Leste ou do Médio Oriente.

«Há uma certa imagem que as pessoas associam à Maçonaria que foi criada pelo Estado Novo», afirma aquele responsável, atribuindo a oposição do regime salazarista à Ordem ao facto de esta defender valores que lhe eram contrários, tais como liberdade, tolerância e universalidade. Salazar proibiu a Maçonaria em Portugal em 1935, a qual só voltou a ser permitida 39 anos depois.

Actualmente, «não há qualquer razão para que estes valores não possam ser transmitidos às pessoas», sublinha, acrescentando que, no entanto, permanecem secretos os ritos e símbolos maçónicos por uma questão de «tradição», que a GLNP foi «beber» aos maçons especulativos, no século XVIII.

Toques, palavras, formas de falar e posturas são sinais secretos que permitem aos obreiros (maçons) reconhecer-se entre si e que nunca são revelados aos profanos (pessoas que não pertencem à Ordem).

Embora recusando o papel da Maçonaria como grupo de lobby, Álvaro Carva destaca a importância das intervenções dos obreiros em assuntos tão diversos como o processo de independência de Timor-Leste e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde está estampado o «olho divino», símbolo da Ordem, tal como está nas notas de 1 dólar norte-americano, onde encima uma pirâmide.

Nos debates e intervenções dos obreiros apenas há dois temas proibidos: política e religião. «Só assim se compreende como podem coexistir aqui membros das mais diversas forças políticas e de religiões tão diferentes como o catolicismo, judaísmo e islamismo», afirma.

Para os maçons não existe o conceito de Deus como divindade, mas sim como Grande Arquitecto do Universo, GADU, um Ser Superior que representa a perfeição. Inexplicável, mas perfeito e para ser livremente interpretado interiormente por cada um dos membros. Não para ser adorado, mas sim para ser tido como modelo, explica Álvaro Carva.

Precisamente para explicar o pensamento maçónico, no congresso serão lançados dois livros, «Nós, os Maçons», de Armando Hurtado, e «Diálogos com a Maçonaria». «Muita gente tem escrito sobre nós, agora somos nós que falamos sobre o que pensamos», afirma o Grão Mestre, considerando que só os obreiros conseguem de facto explicar a Obra.

A Maçonaria, que teve membros como Eça de Queirós e Gago Coutinho, está aberta a todos, desde que sejam homens e que tenham respeito e afinidade com os valores da Obediência. «Pessoalmente acho que as mulheres devem ter outros processos iniciáticos, que lhes sejam mais adequados», defende Álvaro Carva, sublinhando que a Tradição contém símbolo masculinos, como a «colher» (de pedreiro).

Em Portugal existe uma Loja maçónica Feminina e outra mista.

Força, beleza e sabedoria são os três pilares em que assenta um templo maçónico.

A Franco-Maçonaria moderna nasceu a 24 de Junho de 1717, numa reunião de quatro lojas londrinas na Grande Loja de Londres. Em Portugal, o Grande Oriente Português foi criado em 1802 e, depois de várias evoluções, a Maçonaria foi proibida pela ditadura de Salazar, na sequência do que fizeram as ditaduras italiana, alemã, e espanhola, para além das ditaduras comunistas, voltando à legalidade em 1974.

A GLNP conta com 21 Lojas, 19 das quais em território português.

O congresso decorre sábado na Universidade Independente de Lisboa.

Original pode ser encontrado aqui: Diário Digital


Technorati Tags: , , ,